A Valve voltou com força total ao mercado de consoles com o lançamento do Steam Machine em 12 de novembro de 2025 — um aparelho compacto, de formato cúbico, que não quer ser apenas mais um console. Ele quer ser o PC da sala de estar. Medindo 6,3 polegadas por lado e com apenas 3,1 litros de volume, ele parece um mini-PC disfarçado de console, mas com a alma do Steam. E não é só estética: por baixo do capô, ele traz um processador AMD Ryzen de seis núcleos Zen 4, rodando até 4,8 GHz, e uma GPU RDNA 3 com 8GB de VRAM GDDR6, capaz de gerar 17,27 TFLOPS de desempenho. Mas aqui está o detalhe que importa: ele é 15,6% mais fraco que o PlayStation 5 e 36,5% mais lento que o Xbox Series X. Isso não é um erro. É uma escolha.
Um console que não quer ser um console
O Steam Machine não foi feito para bater o Xbox Series X em potência bruta. Foi feito para ser mais flexível. Enquanto o PS5 e o Xbox são sistemas fechados, com interfaces otimizadas e jogos exclusivos, o Steam Machine roda SteamOS — uma versão personalizada do Linux que, graças ao Proton, consegue rodar quase todos os jogos da Steam. Isso é uma revolução silenciosa. Você não precisa de um PC de mesa. Nem de um monitor. Basta conectar o aparelho à TV e jogar. Mas se quiser, pode instalar emuladores, editores de vídeo, até o navegador Firefox com extensões. É um PC, mas sem o caos do Windows.Desempenho real: onde ele brilha — e onde vacila
Segundo análise do Notebookcheck.net em 28 de novembro de 2025, o desempenho gráfico do Steam Machine é equivalente ao de um laptop com AMD Ryzen 5 8640HS e Radeon RX 7600M. Em 1080p, ele entrega 60+ FPS em quase todos os títulos em configurações altas. Em 1440p, ainda mantém um desempenho sólido, com algumas otimizações. Mas na 4K? Aí entra o truque: FSR. O FidelityFX Super Resolution é essencial. Sem ele, jogos como Cyberpunk 2077 ou Starfield caem abaixo de 30 FPS. A memória de vídeo de apenas 8GB é o gargalo. O Xbox Series X tem 10GB de GDDR6, e o PlayStation 5 Pro, 16GB. A Valve optou por priorizar o processador — e isso muda tudo.Problemas reais: streaming, DRM e a ausência de exclusivos
Aqui é onde o sonho esbarra na realidade. Se você quer assistir à Netflix, Disney+ ou Prime Video no Steam Machine, não é tão simples quanto no PS5. Muitos serviços bloqueiam navegadores Linux por causa de DRM. Não há apps nativos. Você pode tentar usar o navegador, mas a experiência é instável. Já no Xbox, você instala o app e pronto. No PS5, a mesma coisa. Isso não é um detalhe técnico — é um obstáculo para o público médio. E não temos os jogos da Sony ou da Microsoft. Nada de Spider-Man 2, Forza Horizon 5 ou Halo Infinite. O Steam Machine vive da biblioteca da Steam — e é imensa. Mas não é a mesma coisa que ter um jogo exclusivo que só você pode jogar.Quem deve comprar? E quem deve evitar?
A Valve não está tentando roubar o mercado de consoles. Ela está conquistando um nicho que ninguém mais tocou: o jogador que ama PC, mas odeia gerenciar hardware. O cara que tem um PC potente na mesa, mas quer jogar no sofá sem ficar com fios por toda a sala. O entusiasta que já usa o Steam Deck e quer algo mais poderoso, mas sem abrir mão da simplicidade. Para ele, o Steam Machine é quase perfeito. Mas se você quer o melhor desempenho em 4K, com jogos exclusivos, controles de última geração e apps de streaming confiáveis? O Xbox Series X ainda é o rei. Se você ama narrativas, exclusivos e a sensação premium de um console fechado? O PlayStation 5 não tem concorrência.
Um novo tipo de console? Sim. Mas não o fim dos tradicionais
O que o Steam Machine representa é a evolução natural da hibridização entre PC e console. A Valve aprendeu com o fracasso de seus primeiros Steam Machines de 2013 — e com o sucesso do Steam Deck. Agora, o sistema operacional é maduro, os drivers funcionam, e os jogadores entendem que jogar em Linux não é mais um desafio técnico, mas uma escolha de estilo. O aparelho também permite expansão via microSD, algo que poucos consoles fazem. Você pode instalar jogos em um cartão, usar no Steam Deck, depois colocar no Steam Machine — e ele reconhece automaticamente. Isso é inteligência de design.Qual o futuro da Steam Machine?
Ainda não há previsão de versões com mais VRAM, mas especialistas acreditam que a Valve pode lançar uma versão Pro em 2026, com GPU RDNA 3.5 e 12GB de memória dedicada. Se isso acontecer, ela pode se tornar uma ameaça real. Mas por enquanto, ela não compete em potência. Ela compete em liberdade. E isso, para muitos, é mais valioso que ter 50% mais TFLOPS.Frequently Asked Questions
A Steam Machine pode substituir um PC de mesa?
Não, mas ela pode substituir a necessidade de um PC dedicado para jogar na TV. Se você já tem um PC potente, o Steam Machine é um complemento, não uma substituição. Ele não roda software profissional como Adobe Premiere ou AutoCAD, e não tem portas de expansão para placas de vídeo. Mas para jogar, navegar e até usar emuladores, é mais que suficiente — e muito mais limpo que um PC com fios espalhados.
Por que a Valve escolheu 8GB de VRAM em vez de 10GB ou 12GB?
A Valve priorizou o equilíbrio entre custo, consumo de energia e desempenho em resoluções mais comuns. 8GB é suficiente para 1080p e 1440p, que são as resoluções mais usadas por jogadores de TV. Aumentar para 12GB elevaria o preço em cerca de 30% e o consumo de energia, o que iria contra o conceito de um aparelho silencioso e eficiente. A estratégia é apoiar o FSR, não a resolução nativa.
A Steam Machine tem suporte a controle de Xbox ou DualSense?
Sim, e com excelente compatibilidade. O Steam OS reconhece automaticamente o DualSense, o controle Xbox e até os controles de terceiros como o Steam Controller. A interface da Steam é otimizada para gamepads, e a maioria dos jogos funciona perfeitamente sem configuração adicional. A Valve fez questão de manter a experiência de console, mesmo sendo um PC.
E se eu quiser instalar Windows no Steam Machine?
Tecnicamente, é possível — mas a Valve não recomenda. O sistema é otimizado para SteamOS, e a instalação do Windows exige desbloquear o bootloader, o que anula a garantia. Além disso, o hardware foi projetado para Linux, com drivers específicos. O Windows pode rodar, mas perderá eficiência energética, e o som e o controle podem não funcionar como esperado. É um caminho para entusiastas, não para o público geral.
A Steam Machine é mais barata que PS5 ou Xbox Series X?
Não. O preço anunciado é de R$ 4.299, quase o mesmo do PlayStation 5 e do Xbox Series X. Isso porque ela usa componentes de alto desempenho, similares aos de laptops premium. O valor não é baixo — mas é justificado pela flexibilidade. Você não está pagando por exclusivos. Está pagando por liberdade. E isso, para muitos, vale o preço.
Qual o papel da Steam Machine no futuro dos jogos?
Ela representa o fim da divisão rígida entre PC e console. O futuro pertence aos dispositivos híbridos, onde você pode jogar no sofá, no quarto ou na mesa, com o mesmo jogo, mesma conta, mesma biblioteca. A Steam Machine é a primeira tentativa bem-sucedida de trazer essa ideia para a TV sem sacrificar o poder do PC. Se funcionar, outras empresas vão copiar. E o mercado de jogos nunca mais será o mesmo.
Luiz Carlos Tornick
novembro 29, 2025 AT 21:17Claro, mais um PC disfarçado de console pra gente pagar R$4.299 e depois descobrir que não roda Netflix sem gambiarra. A Valve tá achando que todo mundo é entusiasta de Linux, mas a maioria quer só apertar o botão e jogar. Se eu quisesse lidar com drivers e DRM, eu compraria um PC mesmo. Essa é a mesma lógica do Steam Deck: 'ah, mas é mais livre!' - sim, livre pra sofrer.
Se isso fosse um produto real, a Microsoft já teria comprado a Valve e engolido isso antes de lançar. Mas não, a Valve prefere ser o 'rebelde' que ninguém quer seguir.
17,27 TFLOPS? Que nada. É só um número bonito pra quem não entende que 8GB de VRAM é um crime contra a humanidade em 2025. Aí vem o FSR como remédio pra dor de cabeça que eles mesmos criaram. Genial.